segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Mistura fina é Capoeira, samba e feijão

     O núcleo de Campinas, do Grupo Semente do Jogo de Angola, comandado pelo Contramestre Danny, realizou no dia 26/8 a 2ª Feijoada do Semente. Nós, do núcleo Aeroporto/Interlagos, fomos em número menor, desta vez, mas a nossa energia estava bem representada pelo Contramestre Formigão, Simone, Nego, Nayla e Mathias.

Foto: Gabi Castilho/Semente - CDHU/Campinas
      Partimos de São Paulo logo cedo, mas voltamos para buscar uma certa pessoa, que perdeu a hora. Com isso, perdemos o início da roda. E, por falar em perder, não é que encontramos o caminho de primeira dessa vez? Rs!!!

     Apesar do atraso, fomos muito bem recebidos pelo Contramestre Danny: “a roda começa agora”. E a roda fluiu muito bem. Filhos, netos e bisnetos de Capoeira do Mestre Jogo de Dentro vadiando juntos na pequena roda, adquirindo aprendizados mais que valiosos para a grande roda, que é a vida.  
Foto: Gabi Castilho/Semente - CDHU/Campinas
     “Era eu, era meu mano, era meu mano, era eu”. Era Campinas com São Paulo, era São Paulo com Campinas. Contramestre Valmir com Nego, Toshiro com Mathias, Contramestre Danny com Nayla, Contramestre Formigão com Pedro, e muitos outros jogos bons de se ver entre Campinas e Campinas, Campinas e Limeira. Ê, sementeira!

     Perto do fim da roda, logo no início de um jogo, o Gunga chama. Não, não havia nada de errado com o jogo. A chamada do Contramestre Formigão foi feita para anunciar uma ilustre presença. Duas, na verdade. Mestre Limãozinho, grande referência na Capoeira Angola, chegou acompanhado de sua esposa Rosinha, sambadeira de valor.

Foto: Gabi Castilho/Semente - CDHU/Campinas
     Como disse o Contramestre Danny, “quando Mestre chega, a roda começa de novo”.  Antes de retomar a roda, Mestre Limãozinho fez uma fala curta e rica. Contou também que quase  se perdeu na chegada, mas foi guiado pelo som do berimbau. O Mestre cantou uma ladainha de sua autoria e explicou que ela falava sobre mestres e educadores de Capoeira em geral, que se dedicam a ensinar seus alunos e, muitas vezes, acabam sendo traídos por eles.

Foto: Gabi Castilho/Semente - CDHU/Campinas
     Apesar do aval do Contramestre Danny para ir mais longe com a roda, Mestre Limãozinho preferiu respeitar o tempo programado e a roda durou apenas mais uns quinze minutos. Quinze minutos vira hora inteira, se tem mestre na roda. Além de cantar e ensinar da bateria, o Mestre ainda pediu licença para dar “meia volta” na roda com o dono da casa, o Contramestre Danny. Meia volta de mestre também é volta inteira. Mestre Limãozinho vadiou bonito, e cantando.

     Depois da roda, a feijoada. Cheirosa, gostosa e motivo de muitos elogios à nossa anfitriã Gabi Castilho e às suas ajudantes. Alma alimentada pela Capoeira, corpo alimentado pelo feijão. Logo depois, a reunião entre os contramestres foi a deixa para os alunos de São Paulo, Campinas e Limeira confraternizarem fora da roda. Um bate-papo na frente do espaço acabou virando samba, quando o Mathias pegou o cavaquinho. Nosso medo era atrapalhar a reunião, mas aconteceu o contrário.

Foto: Semente - CDHU/Campinas
     Os contramestres gostaram do som e nos chamaram para continuar o samba lá dentro. A diferença é que, com Mestre Limãozinho, Contra Mestre Danny, Contramestre Formigão na bateria e com o sapateado da Rosinha, nosso sambinha virou coisa de gente grande. Mas, de um jeitinho mais modesto, a gente fez nossa parte também. Simone, Gabi e Nayla sambando, Mathias representando a  cada “chora, viola!” que o Mestre Limãozinho mandava, Nego e a velha intimidade com o pandeiro, Toshiro que saiu (foi “saído”, na verdade) da bateria para correr a roda... Enfim, deu samba! Para fechar, Mestre Limãozinho cantou uma prece para agradecer os bons momentos e abençoar a casa.
     E volta a feijoada. Dessa vez, como jantar. Início de noite, casa já quase vazia, afinal, o dia seguinte era uma segunda-feira, e o caminho de muitos era longo. O nosso também era, mas, sabe aquele parente que fica até o último minuto? Então... Um longo papo com o Mestre Limãozinho encerrou as atividades do dia. Mais uma Feijoada do Semente (núcleo CDHU/Campinas) bem sucedida.

     “Quem nunca viu venha ver”, quem já viu venha ver de novo. A Capoeira é assim. Cada roda, cada evento, cada encontro, mesmo que não oficial, entre capoeiristas de diferentes gerações, traz muito aprendizado. É chegar com a humildade de quem nada sabe e com o interesse de quem muito quer aprender sobre essa herança poderosa que nos foi deixada. A Capoeira é infinita. 

Foto: Gabi Castilho/Semente - CDHU/Campinas
     Se sentir em casa fora de casa é coisa que não acontece em qualquer lugar e não tem preço. Agradecemos ao Contramestre Danny e à Calça Preta Gabi Castilho por, mais uma vez, nos receberem com carinho. Mais importante que vestir a mesma camisa é praticar a mesma filosofia, encontrar sintonia e ter a oportunidade de viver belas experiências como a que tivemos em Campinas. É desse jeito que, através de ensinamentos, Mestre Jogo de Dentro se fará presente em cada evento nosso, mesmo que esteja longe, levando a nossa Capoeira pelo mundo.
     Confraternização, aprendizado e troca. Sempre um prazer estar em família.  


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

2º Sarau da Madrugada

7º de Setembro... Independência ou Morte???
Histórias à parte, ilusões, mentiras, omissões, heroísmos ou enganações... O fato é que é feriado... E também é a primeira sexta do Mês de Setembro, o que quer dizer que é noite de Sarau!!!
O 2º Sarau da Madrugada, com nossos convidados especiais e o espaço aberto pra quem quiser expressar suas emoções e saberes!!!


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

“Chama eu, Angola... Chama eu”

Foi nesse início de Agosto, que os Mestres Jogo de Dentro, Virgílio de Ilhéus e Plínio, realizaram o "2º Chamada de Angola", um evento pensado e realizado pelos três, a fim de compartilhar com os que buscam um tanto mais de seus saberes da Capoeiragem...
Essa edição foi na Bahia, três dias em Salvador e dois dias na Ilha, na Sede do Semente, em Cacha Pregos, e algumas pessoas dos núcleos de São Paulo puderam estar presentes e aproveitar dessa vivência tão especial.
O Contra Mestre Formigão sempre afirma que “a qualidade é mais importante que a quantidade”, e a vivência dessa “Chamada de Angola” foi a comprovação disso. Com uma programação que contou com aulas/treino com os três mestres organizadores, bate papo (que contou também com a participação do Mestre Pelé), uma aula de Samba de Roda com a Dona Nalvinha (que não estava na programação, mas as meninas deram um jeito pra realizar), a Roda na Associação Brasileira de Capoeira Angola (Com a presença de alguns antigos e tradicionais Mestres da Capoeira Angola da Bahia), a construção da Casa de Taipa no espaço da Ilha, o Samba de Roda com os Mestres Rimun e Mateguinha, o evento foi um transbordar constante de aprendizagem, troca de boas energias e vivência positiva aos que souberam aproveitar!!!
Ficam aqui alguns registros de mais um momento especial da volta ao mundo que vamos dando....

PS: Ficou ainda mais claro pra muitos o significado da canção “Pisa no massapé escorrega, pisa no massapé escorrega” (em vários sentidos...rsrsrs)


Aula com Mestre Plínio

Aula e Roda com o Mestre Virgilho

Aula de Samba de Roda com a Nauvinha (Filha do Mestre Bimba)

Roda na Associação Brasileira de Capoeira Angola

Mestres Virgilho e Gildo Alfinete

Mestres Jogo de Dentro e Bola Sete

Mestres Virgilhos (Fazenda Grande e Ilhéus)

Travessia no Ferry Boat

Preparando o Barro pra casa de Taipa

Tapando a parede (Mestre Jogo de Dentro)

Amassa o Barro, pega o barro e bota na parede

Alinhamento naturalmente angoleiro

Barro dum lado, barro do outro

E mais barro... Olha só a felicidade

Dando Acabamento

E dá-lhe Samba, com os Mestres Sr Rimum e Sr Manteguinha

E samba

E mais samba (presença de Dona Nalvinha, Filha do Mestre Bimba)

E mais samba

Samba de Bamba

E o Mestre Virgilho caiu pra dentro do samba

A alegria no samba

Treino/aula com Mestre Jogo de Dentro

Mestre Jogo e parte da galera presente no evento

terça-feira, 21 de agosto de 2012

“Na volta que o mundo deu, na volta que o mundo dá...”

A Capoeira é coisa séria, já diziam os grandes mestres... Compromisso, dedicação, paciência... Esses são alguns atributos que fizeram com que o Contra Mestre Formigão, nos últimos meses, pudesse passar por mais um momento da trilha que a Mãe Capoeira vem lhe possibilitando, através do Mestre Jogo de Dentro.
Dessa vez, a experiência foi deixar o Brasil por alguns dias, pra ir lá do outro lado do planeta (quem olhar no mapa vai se certificar disso que está escrito aqui), a fim de compartilhar de sua energia e saberes de angoleiro com a galera da Nova Zelândia, do "Grupo Capoeira Mandinga Aotearoa", do Mestre Brabo.
A viagem foi organizada pelos alunos Jesus e Jeremias, e contou com atividades, oficinas, aulas, treinos, musicalização e até seminários, organizados e orientados pelo Contra nos vários núcleos espalhados pela ilha.
Deixamos aqui, registrado no Blog do Semente SP, algumas imagens: esse vídeo do jogo do Contra Formigão com Jesus, e a gratidão à todos da Nova Zelândia, que acolheram e cuidaram com todo o carinho desse nosso representante nato da Cultura Brasileira, das nossas raízes afro-baianas, nosso orientador que tem girado com as voltas do mundo e cada vez mais compartilhado dos saberes ancestrais com os que o buscam!!!


“Quem anda de madrugada, acha a noite melhor que o dia...”

E foi assim que foi... O 1º Sarau da Madrugada foi mais que um Sarau, foi um encontro, foi uma comunhão de gente talentosa, cheia de energia positiva e felicidade!!
Os registros não dão conta de demonstrar o quanto foi bonita a vibração daquela noite que se estendeu pela madrugada, mas vamos deixar aqui um pequeno relato, um pouco das imagens e sons que rolaram, para recordação dos que estiveram conosco, e para uma aproximação, ainda que vã, dos que não puderam estar...
Após uma roda de Capoeira cheia de energia, contando já com a presença de alguns convidados do Sarau, mais o Contra Mestre Cenorinha e seu alunos do Grupo “No Fio da Navalha”, tivemos nosso Samba de Roda do Semente, que levantou o astral do povo, e abriu os caminhos para o início do Sarau.
Nossos convidados foram pra lá de especiais... As canções de Luis Aranha ("finíssima" pessoa, com sua "mistura pra lá de fina"), as histórias da Danielle Barros (“naturalmente” encantadora), a poesia de Francine Flor (com seu "Poema Sujo" , cheia de energia e ajudando a conduzir nosso primeiro Sarau), foram de um encantamento pra lá de marcantes...
Além dos já ilustres convidados que estavam na divulgação, tivemos também as participações marcantes e muito massa do Contra Mestre Pedro Peu (Angoleiro Sim Sinhô), que levou a galera toda a cantar seu “Coco Embolado” - "Como é que pode cabrito virar bode, tartaruga dar mancada e lagartixa dar risada???" - rsrsrsrs!) e o músico Rafael Emílio, com suas melodias e expressões marcantes. 
Também contamos com a participação da galera do Semente, como o Alan, que até apresentou umas canções da autoria dele; o talentoso Matthias, tocando canções de sua autoria na viola de 10 cordas, e fazendo um solo com sua flauta/pífano, acompanhado da percussão da galera, (além de ser o responsável pelo mural que nos leva ao Pelourinho);  da  Cris, que mandou muito bem, fazendo inclusive duas adaptações belíssimas pra duas canções de Capoeira, com arranjos próprios no violão e voz; Nayla, com sua voz sempre encantadora e de forte presença (como diz o tio da taberna "Essa mulher é um"...Opa... "Canta Muuuito"...rsrsrs), o aluno Lampião que aproveitou pra contar umas histórias e transmitir sua mensagem! A interação de todos foi ficando cada vez mais intensa...
Depois dos solos, a coisa foi ficando mais interativa, e já pros idos de alguma hora avançada, o samba de roda, improvisado, brincado, cheio de misturas interessantes voltou a soar... A galera foi se empolgando e a história foi seguindo...
Lá pros idos das 5h30, o samba deu lugar ao forró, improvisado, na voz, violão e percussão... E a galera com disposição aproveitou para arrastar o pé, a chinela, a sapatilha e tudo mais...
A coisa foi encerrar lá pras 7h... E os sobreviventes foram todos juntos tomar um café da manhã coletivo...
“Iê, galo cantô... Cocorocô”... O dia raiou e estava cumprida a missão... O Sarau da Madrugada foi massa... Agora é esperar os próximos... E que venham muitos amanheceres cheios dessa graça boa de que a noite foi de poesia, música, performance, dança, comunhão, respeito, diversidade, cumplicidade, liberdade e alegria!!!”