sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Sarau da Madrugada de Dezembro e roda de encerramento do Semente SP - Aeroporto/Interlagos

O encerramento das atividades do núcleo Aeroporto/Interlagos do grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola no ano foi tão bom que vamos pular aquela parte de reclamar de 2015. O ano não foi fácil, é verdade. Mas, para quem trabalha com Cultura, principalmente com a Cultura Negra, nenhum ano é fácil e nenhuma conquista vem sem que vários obstáculos sejam superados. Então, para nós, foi um ano difícil sim, mas com muitas vitórias. Resistimos, mais uma vez, e seguiremos na luta. Para celebrar essas vitórias, tivemos uma noite triplamente especial. A Roda de Capoeira foi especial, o Samba de Roda foi especial e o último Sarau da Madrugada do ano foi especial também. 


Na roda, coordenada pelo Contramestre Fábio Formigão, além dos alunos dos dois núcleos de São Paulo do Semente (Aeroporto/Interlagos e Grajaú), estavam presentes também alunos do núcleo de Campinas, trazidos pelo Contramestre Danny, e do núcleo de Israel. Recebemos ainda a visita de camarás e irmãos de outras famílias de Capoeira, como Jesus e Tucano, da Nova Zelândia, o Contramestre Cenorinha, que trouxe os alunos do grupo Capoeira Angola no Fio da Navalha, o trenel Womualy, que trouxe alunos da FICA SP e o pessoal do Angoleiro Sim Sinhô, do Mestre Plínio. 



A surpresa maior foi a chegada do mestre Môa do Katendê! No Gunga, o Mestre cantou bonito e dividiu um pouco do axé dele com a gente. Com tanto angoleiro reunido, não teve como não extrapolar o horário da Roda. Ficou tão tarde que, mesmo contrariando os pedidos do pessoal que tava doido pra sambar, tivemos de deixar o Samba de Roda para mais tarde e demos início ao Sarau da Madrugada. 



Com o microfone aberto, veio poesia, contação de história, músicas e muito mais. Recebemos como convidados especiais o músico Daniel Silva, lançando o E.P. "De: Nós Para: Nós" e conquistando todo mundo com seu trabalho autoral, o poeta e palhaço Guga Cacilhas, Calça Preta do Semente do Jogo de Angola, que fez o povo passar mal de rir com suas performances, o poeta Americano, que representou no som e nos versos, e as dançarinas Liliane e Ingrid, alunas do Semente do Jogo de Angola, que fizeram uma performance criada a partir de uma pesquisa que teve como referência as mulheres e a Capoeira. 









Teve ainda mais música com o Mestre Môa, que voltou para cantar alguns afoxés e fazer o Samba de Roda. Valeu a pena esperar tanto! O samba rolou com uma energia única!








Amanhecemos e encerramos o ano assim, com muita energia boa! Que venha 2016, com bons ventos, caminhos abertos, desafios necessários e muitas conquistas.

Até já! :)

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Palmares Ontem e Hoje - Roda de Capoeira e Roda de Conversa no Dia da Consciência Negra

Data da morte de Zumbi dos Palmares e data escolhida para celebrar o Dia da Consciência Negra, o dia 20 de novembro é um dia de luta e reflexão. Para vivenciar a data dentro dessa proposta, os núcleos Aeroporto/Interlagos e Grajaú do grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola realizaram atividades culturais gratuitas dentro e fora do Espaço Olorum, aproveitando a data para conversar e refletir sobre a trajetória de resistência do povo negro, desde Palmares, e, ao mesmo tempo, reforçar o quanto a luta contra o racismo e seus mecanismos de opressão é diária. Ela acontece de várias maneiras, todos os dias, todos os meses, todos os anos e, infelizmente, há séculos.



A atividade começou com uma orquestra de berimbaus, formada por alunos e professores do grupo e coordenada pelo Contramestre Fábio Formigão, em frente ao Espaço Olorum. A música e a concentração de berimbaus chamou a atenção de quem passava na rua. Depois, seguimos para o viaduto da Washington Luís para realizar uma breve Roda de Capoeira, em um manifesto para lembrar que a Capoeira é um dos grandes símbolos da resistência do negro diante da opressão.  




Voltando para o nosso espaço, iniciamos a roda de conversa sobre o Dia da Consciência Negra. Falamos de racismo estrutural, cultura negra, falta de representatividade do negro na mídia e em posições sociais de destaque, dificuldades enfrentadas por professores para falar sobre a cultura negra nas escolas, folclorização das tradições negras, demonização das religiões de matriz africana, entre outros temas. O grupo reúne capoeiristas de diferentes etnias, idades, condições sociais, profissões, formações familiares etc. A contribuição de cada um com seu ponto de vista enriqueceu muito o debate.  





Durante a pausa para o almoço, com uma "moqueca vegetariana" feita pelo aluno Jesus, de Israel, tivemos a grata surpresa de receber o Mestre Moreno! A presença ilustre do Mestre foi garantida pelo camará Womualy, da FICA São Paulo. Com a presença do mestre e a chegada de amigos e irmãos de outras grupos, a Roda de Capoeira fluiu muito bem, com jogos bonitos e muito aprendizado. Com o "Adeus, Adeus", encerramos a roda, mas a energia e os conhecimentos trocados nesta data tão forte permaneceram em cada um dos participantes.   





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Sarau da Madrugada de Novembro - Ancestralidade e Resistência

Na noite do dia 6 de novembro, mês em que se celebra o Dia da Consciência Negra, o Sarau da Madrugada, que já é famoso por abrir espaço tanto para as antigas tradições quanto para as novas expressões culturais, reuniu manifestações diversas de ancestralidade e resistência, da Capoeira Angola ao RAP, em uma noite rica em informação, manifestos, cultura e arte.




RODA DE CAPOEIRA E SAMBA DE RODA

Sob o comando do Contramestre Formigão, a Roda de Capoeira contou com a presença de alunos e professores do Grupo Semente do Jogo de Angola São Paulo (que organiza o Sarau da Madrugada), amigos e irmãos de outras famílias de Capoeira, visitantes que tiveram a oportunidade de assistir à nossa roda pela primeira vez e até do capoeirista Jesus, da Nova Zelândia, que acompanha o Semente há muitos anos. 






O Samba de Roda rolou na sequência. A energia dos tocadores e das sambadeiras já dos deram uma prévia da força que o nosso sarau teria. Poetas, atores, contadores de história, músicos e outros artistas foram chegando e mostrando seu sapateado no Samba de Roda, manifestação cultural muito tradicional no Recôncavo Baiano. 





MICROFONES ABERTOS

Com o microfone aberto, o pontapé inicial foi dado pelo Alan Zas, Calça Preta do Semente do Jogo de Angola e organizador do Sarau da Madrugada, ao lado da Nayla Carvalho. E ele abriu logo com "Todo Camburão Tem um Pouco de Navio Negreiro", emendando o som da banda O Rappa numa fala importante sobre a situação do negro no Brasil: "O Brasil tem 515 anos, 300 e poucos foram de escravidão. Não houve nenhum tipo de reparação social aos que foram escravizados, nem para os descendentes. Para que haja igualdade de fato, é necessário ter equidade (...). O discurso de 'somos todos iguais', muitas vezes, é usado por racistas que falam em igualdade, mas não querem a equidade. Tem gente que usa por ignorância, mas tem muitos que usam por maldade". 





A partir daí, não teve volta. Das poesias às performances corporais, foi pedrada a noite toda! Vale o destaque para a Dandara (com pouca idade e muita consciência), recitando a música "Culpa Minha?", da Bê O, e para o Contramestre Formigão fazendo uma intervenção de Capoeira, cantando uma ladainha e um corrido sobre a história de Zumbi dos Palmares. 





CONVIDADOS ESPECIAIS

Tula Pilar

A poetisa Tula Pilar, primeira convidada especial da noite a se apresentar, abriu sua participação no sarau dizendo o quanto acredita na juventude, que também está lutando para superar as desigualdades que vivemos. "Sou vendedora de Ocas (revista), poetisa e mãe". "Eu queria que não precisasse ter Consciência Negra". 



Depois de recitar a poesia "Ancestralidade", com performance e dança, acompanhada pelo contramestre Pedro Peu nos tambores, a Tula falou sobre seu brilho e apontou na plateia negras e negros "que vieram para brilhar".



Mais tarde, de volta ao "palco" do sarau, a poetisa mandou uma poesia erótica e falou sobre o quanto foi reprimida em outros espaços por se expressar dessa maneira. No Sarau da Madrugada teve foi palmas! Muitas palmas!



Rodrigo Basan

Fazia tempo que o Sarau da Madrugada estava xavecando o Rodrigo Basan pra ele vir mostrar o trabalho dele por aqui oficialmente. Músico, cantor e compositor, ele já havia dado uma palhinha num final de sarau. 



Mas, dessa vez, ele veio pra valer e o resultado foi o esperado: todo mundo na "pista" dançando e cantando.

O Rodrigo começou com "Juízo Final" (Nelson Cavaquinho), passou por "Dança da Solidão" (Paulinho da Viola), "Saudosa Maloca (Adoniran Barbosa) e "É Isso Aí" (Sidney Miller), e depois mandou um tanto de Tim Maia! Teve gente se acabando na pista (né, Paulo? <3 ).   



Nossa Conferência

O encontro do Sarau da Madrugada com o grupo Nossa Conferência aconteceu poucos dias antes daquela madrugada boa. O sarau e o MC Besouro Anêmico, acompanhado pelo MC Profeta, foram convidados da 35ª edição da Rádio Tambor e dividiram espaço e conhecimentos no palco do programa. Ainda não viu como foi? Dá uma clicada AQUI para assistir à entrevista na íntegra. 



O Besouro Anêmico pediu licença para chegar e, no clima do sarau, iniciou a apresentação recitando a poesia "A Madrugada". E abriu os trabalhos: "a gente vai compartilhar um pouco da nossa arte com vocês". Começaram à capella e, um pouco depois, entrou o beat box. A base entrou por último e veio só para completar o som que a galera já estava curtindo muito. Confere aqui um resumo do que foi o show:


   Vídeo postado pela página da Nossa Conferência no Facebook

                                      

FORRÓ E SAMBA-REGGAE


Apesar da dureza das palavras usadas em versos de protesto e contestação, não faltaram oportunidades de amolecer e alimentar o corpo com dança. Além do Samba de Roda e do som dos convidados especiais, rolou também um forró e o tradicional Samba-reggae do Semente pra gente esgotar as últimas energias e ir embora para casa de alma, mente e corpo renovados! Virar a noite nessa pegada toda não é pra qualquer um, mas sempre vale a pena! 





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Rádio Tambor convida Sarau da Madrugada em sua 35ª edição

No dia 30 de outubro, o Sarau da Madrugada teve a honra de participar como convidado especial da 35ª edição da Rádio Tambor - Tambores e Pick-ups Ecoando Negritude. O programa, apresentado por Oswaldo Faustino e promovido pelo Instituto Cultural Dandara, também trouxe como convidados o MC Besouro Anêmico e o MC Profeta, além de contar com a participação especial do Marcelinho Back Spin! 


Foto: Instituto Cultural Dandara

Como o Sarau da Madrugada abrange Capoeira, Samba de Roda, Poesia, Música e diversas outras manifestações culturais, escolhemos dois desses universos (o Samba de Roda e a Poesia) para mostrar um pouco do trabalho que realizamos mensalmente. O sarau foi ao programa representado por Alan Zas e Nayla Carvalho, organizadores do Sarau da Madrugada e membros do grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola, e Ed Encarnação, que, além de ser um grande percussionista, é um ex-aluno do grupo e um membro importante da família Sarau da Madrugada.

Confira o programa na íntegra:



Bloco 1



Bloco 2



Bloco 3





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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

MARACATU É RESISTÊNCIA! - alunos do Semente apresentam seminário sobre o Maracatu

Dando continuidade ao ciclo de seminários de 2015, no núcleo Aeroporto/Interlagos do grupo Semente do Jogo de Angola, segunda-feira (26/10) foi dia de conhecermos um pouco mais sobre o Maracatu. O seminário foi apresentado pela aluna Juliane e pelo Cláudio.

Foto: Nayla/Semente do Jogo de Angola

Antes de começar a falar sobre o Maracatu, a dupla ressaltou que “todo brasileiro traz em si o índio, o negro e o branco” e afirmou que, na base do Maracatu há uma tríade cultural, com elementos trazidos pelos negros, pelos índios e pelos brancos. Entre as versões existentes para a origem da manifestação, algumas apontam que há uma contribuição maior do negro, enquanto outras apontam que a contribuição do índio é maior.

Foto: Nayla/Semente do Jogo de Angola

Tradicionalmente, o Maracatu é um cortejo. Há várias definições da palavra Maracatu. Uma delas aponta que é a junção de "maraca" (instrumento de percussão) e "catu" (que significa "bom", em  Tupi). Os dois falaram um pouco sobre dois tipos de Maracatu: o Maracatu Nação, conhecido também como Maracatu de Baque Virado, e o Maracatu Rural, também conhecido como Maracatu de Baque Solto. Citaram também o Maracatu Cearense. 

Maracatu de Baque Solto - Foto: Jan Ribeiro/Pref.Olinda


Maracatu de Baque Virado - Foto: Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu 1824/Facebook

Assistimos ao documentário Maracatu de Baque Solto, onde, além de diversas outras informações valiosas, vimos que, antigamente, mulheres não participavam do Maracatu, mas que hoje há grupos formados apenas por mulheres. Vimos também que a religiosidade é muito presente no Maracatu e que existe toda uma preparação antes da "brincadeira". Entre outros elementos, a religiosidade também se manifesta por meio da Calunga, uma boneca que é tida como representação das divindades que protegem o Maracatu, sendo que, em alguns casos, ela é cultuada como a própria divindade. A preparação e a condução da Calunga envolvem fundamento e tradição.

Diversos personagens integram o Maracatu: rei, rainha, figuras da corte, dama do paço (que carrega a Calunga), caboclo de lança, entre outros. Eles aparecem de maneiras diferentes e têm importâncias diferentes, de acordo com o tipo de Maracatu.

Foto: Nayla/Semente do Jogo de Angola
Sobre o caráter de resistência do Maracatu, a Juliane e o Cláudio citaram que a manifestação traz muito do sincretismo religioso, tendo sido usado como forma de se cultivar entidades próprias, "driblando" a repressão e a imposição da religião seguida pelos europeus. Os dois lembraram ainda que a dominação dos portugueses buscou reduzir o Maracatu e toda a sua dimensão para transformá-lo em apenas um folguedo. "O Maracatu sofreu muita repressão. Um jeito de controlar a força dele foi colocá-lo como parte do Carnaval, minimizando o caráter religioso, que nunca deixou de existir para aqueles que cultivam a tradição. Assim como diversas outras tradições, ele foi reduzido a um folclore, aos olhos da sociedade". 

Foto: Nayla/Semente do Jogo de Angola
Entre dados históricos e reflexões, outros alunos e visitantes também participaram da apresentação. Ao falar sobre a relação do negro com o tambor, a Dona Elza disse: “durante a escravidão, o tambor era um jeito de o negro gritar e suportar a dor, a violência. Hoje, o tambor é uma forma de o negro dizer ‘sobrevivi a tudo isso’. Os negros não permitiram que o grito deles fosse abafado”.  

Foto: Nayla/Semente do Jogo de Angola

Para finalizar o seminário, a Juliane e o Cláudio explicaram que, atualmente, há grupos de Maracatu que têm como foco a tradição e outros que estão mais voltados para a diversão. Hoje em dia, tem Maracatu no mundo inteiro, mas houve diversas modificações. A dupla ressaltou que a Nação Zumbi e outras bandas são grupos apenas musicais de Maracatu. "Foram muito importantes para divulgar e resgatar a manifestação, mas é necessário diferenciar". 

Existe uma preocupação em não descaracterizar totalmente o Maracatu, mas, para isso, é preciso buscar na fonte. "A pesquisa é importante, mas, assim como na Capoeira, quem tem autoridade para falar do Maracatu são os mestres. É necessário consultar e valorizar os mestres", encerraram. 

SEMINÁRIOS NO SEMENTE DO JOGO DE ANGOLA

Os seminários foram incorporados às atividades do Semente do Jogo de Angola pelo Mestre Jogo de Dentro, fundador do grupo. O Contramestre Formigão costuma dizer que a preocupação do Mestre Jogo de Dentro não é formar capoeiristas, mas sim informá-los.


O objetivo dos seminários é incentivar os alunos do grupo a ampliarem seu conhecimento a respeito da Capoeira e das manifestações culturais de origens semelhantes. Com isso, os alunos também passam a valorizar mais a Capoeira e a importância de preservar os fundamentos. 


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Domingo de Roda e Samba no Semente!

Para fechar a semana com chave de ouro, neste domingo (25/10), vamos curtir uma tarde gostosa no espaço Olorum, do núcleo Aeroporto/Interlagos do grupo de Semente do Jogo de Angola, com Roda de Capoeira e Samba de Roda! Vem participar também! 



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