quarta-feira, 28 de novembro de 2012

E tem mais Sarau da Madrugada!

Salve! 
Novembro foi um mês com muitos encontros nos Núcleos de Capoeira do Semente do Jogo de Angola esparramados pelo país. Teve encontro em Minas, Limeira, São Paulo e Campinas. E foi massa, como vocês puderam ver nos posts mais antigos e ainda verão nos registros que ainda colocaremos aqui dos últimos dias de eventos.
Então, como forma de engrandecer ainda mais esse momento, queremos celebrar com vocês a energia de mais uma edição do Sarau da Madrugada, no Semente de SP! 
E teremos como grande convidado o nosso MESTRE, JOGO DE DENTRO!!!!!!
E, claro, contamos também com a presença de todos os artistas que quiserem dar uma canja e trazer sua energia pra compartilhar na nossa casa! 
Será um cadinho antecipado, mas com aquele axé!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



    

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Comemoração de 10 anos do Núcleo Interlagos/Aeroporto


O núcleo da Zona Sul do Grupo Semente do Jogo de Angola em São Paulo está fazendo dez anos de resistência, perseverança, paciência e manutenção das tradições da Capoeira e dos ensinamentos do Mestre Jogo de Dentro.
Sob a orientação do Contramestre Fábio Formigão, o grupo irá realizar nos dias 16, 17 e 18, uma grande comemoração/evento com a presença do Mestre Jogo de Dentro, os Contra Mestres do Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e muitos outros convidados...
Segue a Programação:
16/11 - Roda de Capoeira e Samba de Roda a partir das 20h
17/11 - Treino, Ritmo, Bate Papo, Roda e Samba de Roda com o Mestre Jogo de Dentro a partir das 14h
Show com a Banda Razallfaya a partir das 21h
18/11 - Roda de Capoeira no Parque Nambuco a partir das 11h
(O valor para participar do evento é de R$50,00)
Dúvidas ligar para: 993241389 (Com Simone Iara)






4º Sarau da Madrugada – Positividade para celebrar a vida

Dentro de diversas crenças, sexta-feira é um dia sagrado, dia de oração, dia de cuidar da energia... Um dia especial. Uma sexta-feira de Finados tem tudo isso e mais um pouco. A data inspira reflexões, pede respeito àqueles que se foram e acolhimento aos que perderam pessoas queridas. O que muda de casa para casa, família para família, de religião para religião, de país para país, é a forma de vivenciar o momento.
Aqui, no núcleo Aeroporto/Interlagos do Semente do Jogo de Angola (grupo do Mestre Jogo de Dentro), resolvemos celebrar o dia 2 de novembro com muita energia positiva. Por decisão do líder da casa, o Contra-Mestre Fábio Formigão, mantivemos a Roda de Capoeira, que acontece toda sexta-feira, a partir das 20h30, e o Sarau da Madrugada, que rola toda primeira sexta-feira de cada mês. E parece que quem veio chegou com a mesma intenção positiva. Que energia poderosa!

"Quem nunca viu venha ver"

Roda de Capoeira e Samba de Roda
Começou, claro, com Capoeira. A roda contou com a presença dos alunos do grupo, convidados de fora e convidados que já são mais que da casa, como o pessoal do grupo Angoleiro Sim Sinhô, do Mestre Plínio. A música diz que "Capoeira é pra homem, menino e mulher" e estavam todos bem representados: homens, mulheres e crianças vadiando Angola ao som da bateria e do cantar do Contra-Mestre Formigão, do Semente, e do Contra-Mestre Pedro Peu, do Angoleiro Sim Sinhô.

"Capoeira é pra homi, menino e mulé"

Depois da roda, o samba de roda. É para homem, menino e mulher também, mas a mulherada domina. O balanço e o sapateado delas anima os tocadores e traz ainda mais energia à prática da tradição herdada das velhas pretas baianas. Mas os homens não ficam tão atrás, não. Principalmente, na hora de sambar de dupla. Viola boa, tocadores de valor, se deixasse, durava até de manhã. Mas, tinha sarau para rolar. Formigão puxou o 'Adeus, Adeus' e encerrou o samba.

"Saia do mar, venha ver, venha ver"

"Jogar mais eu, mano meu"

"Iê... A Capoeira, Camará"

"Tenho que ir embora, não posso demorar"

Talita Ribeiro e João Pellegrini
A partir daí, estavam abertos os caminhos para o 4º Sarau da Madrugada. O sarau já tem suas figurinhas cativas, mas toda edição traz pessoas maravilhosas, que a gente torce para virarem cativas também. A missão de abrir a noite ficou com a cantora Talita Ribeiro e o violonista João Pellegrini, ambos do time de convidados especiais do dia. A Talita logo avisou que manteria a pegada do samba, mas que faria "um samba mais clássico". E dá-lhe Noel Rosa! ‘Feitiço da Vila’, ‘Fita Amarela’, numa voz doce...  O povo só começou a despertar da hipnose em 'Reconvexo', de Caetano Veloso, onde já se ouviam algumas vozes a acompanhar. Foi a Talita chamar Dona Ivone Lara, com 'Alguém me avisou', que o coro engrossou. Alan Zas chegou junto no pandeiro e a galera, nas palmas. Foi pra lá de lindo, e ainda rendeu uma bela tela pintada pelo Mathias!!!

João Pellegrini e Talita Ribeiro

Uma voz encantadora e cativante

O som inspirou o pincel, e eis "as artes"...

Contra-Mestre Pedro Peu
Na sequência, foi a vez do Contra-Mestre Pedro Peu fazer sua apresentação. Disse a todos que tocaria uma música que costuma ser executada com violão e percussão, mas ele a faria diferente: no berimbau e no gogó. Contou também que compôs a canção depois de ouvir um professor se queixar do barulho de um galo cantando. A letra dizia "quando cansarmos da zoada daqui, vamos para lá ouvir o galo cantar". E, no meio da boa prosa, decidiu "parar de conversa" e contou uma última. Disse que, na escola, só tomava bronca por um motivo: "o Pedro é um bom aluno, mas não para de conversar". 
Após a canção, uma regra foi estabelecida: "ninguém pode ficar parado! Não precisa dançar, mas ficar parado não pode". O povo do Sarau da Madrugada é madeira! Missão dada é missão cumprida! Todos de pé. O primeiro desafio era improvisar. A música dizia "no meio da feira tudo tem", e a galera respondia o que poderia ter, rimando ou não. Entre “xuxu para o meu amor” e "promoção e pra mocinha", rolou de tudo. Tudo tem!
Aí veio o coco. Quem não sabia a dança aprendeu a marcar a batida nos pés e, mais tarde, se virou para marcar nas mãos também. Assimilado o ritmo, a brincadeira era bater as mãos com as de quem estivesse dos lados, sem perder a toada. Pedro Peu pediu para todo mundo se desfazer da "criança adaptada", para deixar a criança interior totalmente livre. O povo já tava pegando fogo, imagine depois disso...
Com a criança solta, ficou fácil soltar a língua também. A pedidos, uma embolada de ritmo contagiante e letra difícil. Azar de quem perdeu o 1º Sarau da Madrugada. Quem tava pediu para o Contra-Mestre repetir a brincadeira e se aproveitou da memória para não deixar a língua dar nó. E teve mais música, mais dança. Para finalizar tudo, o Contra-Mestre mandou uma ciranda.  Acabou lá no alto, com muito aplauso e a garantia de que a regra foi seguida à risca: ninguém ficou parado.

A galera se concentrou pra ouvir o Contramestre Pedro Peu...

...Ele fez a galera levantar e deu a ideia...

...Explicou, contou umas histórias...

... E botou o povo pra balançar o esqueleto...

... Teve improviso, Coco, Ciranda, Trava-língua, Embolada...

... E a galera colaborando na sonzeira que comeu solta!!

Alan Zas
Antes de chamar o terceiro convidado especial,  Alan Zas tocou 'Relampiano’, de Paulinho Moska e Lenine, e disse que era “para acalmar os ânimos”. Explicou também que a dinâmica do sarau é assim mesmo, sobe e desce. Almofadas e cadeiras, que haviam sido expulsas para dar espaço à dança, voltaram para descansar os corpos dançantes. Calça Preta do Semente do Jogo de Angola e um dos organizadores do sarau, Alan aproveitou para comentar o Dia de Finados, discordando do raciocínio de se estabelecer datas específicas para coisas que deveríamos fazer sempre: reverenciar os que se foram, valorizar a mulher, o negro, o índio... Citou a situação dos Guarani-Kaiowá, que é crítica há anos e só agora está recebendo uma atenção maior.  Para fechar, "Canto Nativo". Uma música composta pelo próprio Alan, há tempos, quando estava em contato com aldeias Guarani de São Paulo . "Na morte, o nascimento de uma nação". Versos bonitos e duros, num canto emocionado que colocou todo mundo para pensar. "Eu vejo o futuro repetir o passado", e o presente está aí, gritando por atitude. Palmas merecidas, de quem entendeu o recado. Para quem não entendeu, aqui CIMI (Conselho Indigenista Missionário) tem mais. 


Alan Zas mandou as suas


 Akins Kintê

Após a música, o Alan chamou: "Akins, mande a sua!". E ele chegou na sinceridade, contando que estava vindo de um samba difícil de deixar. Cansado, mas na pegada. A poesia entrou sem aviso: "ofereço para o meu homem". E, recitada na levada do rap, expôs, sob o olhar feminino, a revolta resignada da mulher que espera o companheiro voltar da noite. Briga, "tu abusa, rapaz!", mas engole a dor e o orgulho: "a porta eu não barro, minha tristeza eu barro". Porta aberta, mesa posta e a resposta: "ofereço à minha mulher". Ecoa um "aê!" grave e aliviado dos homens presentes, que perceberam na troca de gênero da personagem a oportunidade de se defenderam das acusações de abuso. Akins amansou a euforia: "calma, calma, que essa parte é louca!". E era. Tinha justificativa ("o trabalho me esgana, para mim só resta o fim, o fim do fim de semana"), consolo ("pro tititi não dei bola") e sinceridade ("eu te amo, mô, depois da várzea").

Quando os aplausos pensaram em vir, já tinha outra rolando. Essa era sobre o cabelo crespo. Crespo, que é "toda uma vida quando livre". Crespo, não duro. "Duro é o genocídio, não o crespo". E foi que foi, até ser aplaudido de pé. "Desculpa, eu tô a milhão". Desculpado. A essa altura, a galera já tava também. A força do recitar do Akins deixa os versos ainda mais penetrantes. Mas, vale muito a pena conferir o trabalho do cara.Boa viagem!

Akins Kintê emendando e remendando em Prosa, Verso e Rima


Microfones abertos

No Sarau da Madrugada há convidados especiais, mas todo mundo é convidado e todo mundo é especial. Tanto que convidados de outras edições vêm para prestigiar as novas atrações especiais e para se apresentar "sem compromisso". E esse foi o caso do Paulo Sant'anna que, dessa vez, veio sem Chico Contador, mas veio acompanhado de seus versos e os compartilhou com a casa. E, se no terceiro evento contamos com a presença do pessoal do Sarau da Ademar, nesse tivemos Bibo, do Sarau do Vinil. Deixou sua arte no cavalete (que fica aberto, assim como os microfones, a quem se habilitar) e avisou que o sarau rola todo primeiro sábado do mês, na Taberna Freece. Prestigiemos!

E tem poeta no Semente também! Leonardo (Tatu) explicou que Jurubatuba era o nome pelo qual os índios chamavam o Rio Pinheiros antigamente e versou sobre a época em que o Jurubatuba não era "podre". Depois dele veio a Cris, que disse que o tema a inspirou a cantar uma composição sua sobre os nossos rios marginais.

O Sarau da Madrugada está começando, mas já mantém duas tradições milenares: café da manhã na padaria e Rafael Emílio no "palco". Antes de cantar, o Rafa falou da energia sempre positiva do sarau e do quanto aumentou o número de pessoas no espaço, desde o primeiro. Ele não viu, nem ouviu, mas o Contra-Mestre Fábio Formigão tirou o chapéu e disse: "esse menino é bom". É da casa e tá aprovado pelo dono da casa. Moral! E o CD tá quase pronto. Aguardamos 'Mãe Natura'!

Quem voltou também foi o Vinícius. Cantou uma composição própria com Rafael Emílio no violão e Alan Zas na tumbadora. O Leonardo (Tatu) pegou o violão e pediu licença para fazer um "rap tragicômico", com Renan no beat box. E o violão seguiu trabalhando, dessa vez nas mãos da Ana Beatriz. Assim como o Vinícius, ela fez um som no sarau passado e voltou para cantar novamente. E como canta! Tim Maia, Cazuza e uma letra dela para finalizar.

"Anime-se"! Vinícius Cabelo (Ministro) e Phillippi Giovanni do Grupo CTRL, mandando um rap, com Alan Zas no violão e Hélio no atabaque. Depois do som, o Alan mandou mais um recado. Disse para a galera valorizar mais o que se faz na periferia. Conhecer melhor o trabalho de pessoas como o Akins, adquirir material. E o próprio Akins voltou ao microfone, dizendo que quem dá valor não chega à capoeira e ao candomblé como "cliente". Chega como "manutenção". E a fala segue a linha do lema do sarau: quem chega para somar está em casa. Dado o recado, mandou mais uma. 'Fora de padrão', uma poesia cheia de sensualidade e conscientização. Essa foi aplaudida de pé também, mas aos gritos. "O que não falta é militante de poesia, falta militante de vida". Akins finalizou com 'Valeu', aplaudido em pé mais uma vez. Referência!

Bibo Representou (Sarau do Vinil)

Leonardo mandou a sua sobre o Rio "Jurubatuba" (Pinheiros)

Cris, se inspirou nas águas e mandou sua canção

Rafa Emílio aproveitou a inspiração musical e mandou as suas

E as telas começaram a brotar (Rodrigo)

Vinícius mandou seu Rap acompanhado da Galera

Leonardo e Renan no Rap tragicômico

Bibo mostrou sua versatilidade e foi pros pincéis

CTRL representou, com bases improvisadas no violão e percussão

Os meninos tem visão...

Akins: "O que não falta é militante de poesia, falta militante de vida" 


A volta dos que não foram

Mais alguns versos, mais alguns acordes e, quase no fim da noite, a volta dos que não foram. Um samba estava rolando na calçada do espaço do Semente. A justificativa para o isolamento foi boa: "estamos transcendendo os limites do sarau". Voltaram e voltaram cantando. Subiram as escadas entoando 'O sol nascerá'. Quando chegou lá em cima, o forró era quem estava no comando do som. Sem queixas. Quem de samba gosta doente do pé não é.

E o forró virou samba, e o samba virou afoxé, e o afoxé virou faxina, e a faxina virou café da manhã, e estava encerrado o 4º Sarau da Madrugada. Dia 7 de dezembro tem o último do ano. Antes dele, tem festa no espaço, dia 17 de novembro, com a presença do Mestre Jogo de Dentro. A energia das festas no Semente é tão poderosa quanto a do sarau. "Ou mais"!

O samba improvisado com a galera em sintonia

O Forró Pé de Serra Chegou na madrugada

Nas telas a inspiração continuou brotando (Vinícius Cabelo)

Samba de Roda e Afoxé sob a regência do Contramestre Formigão


Cheguem e somem, notívagos! Até breve!


quinta-feira, 25 de outubro de 2012

3º Sarau da Madrugada - Um é teste, dois é ajuste, três é pra não parar mais

Um é teste, dois é ajuste, três é pra não parar mais. Chegamos à terceira edição do Sarau da Madrugada e nosso evento noturno começou a ganhar identidade. Cada um que chega é bem vindo e faz parte disso que está sendo construído.  Como ensina a ladainha, se for bem cultivado, dará "bom fruto e bela flor".

E foi com ladainha que a noite do dia 5 de outubro começou. Toda sexta-feira, a partir das 20h, tem Roda de Capoeira no núcleo Aeroporto/Interlagos do Grupo Semente do Jogo de Angola. Cada roda é uma, toda roda é especial. Mas, na primeira sexta-feira do mês, quando rolam os saraus, a roda ganha um público diferente, uma energia diferente. Sob o comando do contramestre Formigão, a roda fluiu com força, com belos jogos. Convidados especiais do sarau, Allan da Rosa e Paulo Henrique Sant’anna marcaram presença. Allan na bateria e na vadiação, e o Paulo só na "platéia", mas com toda a atenção e o respeito que uma roda de Capoeira pede.


Ferrán e Matthias ao pé do Gunga do contramestre Formigão

Terminada a roda, começa o samba de roda. Não tem mais platéia. Todo mundo samba, todo mundo canta e, com a interação e a energia lá no alto, começa o nosso sarau. Na condição de filho da casa e organizador do evento, Alan Zas tratou de abrir os trabalhos. 'Chão de Giz' no gogó e no violão, e estava aberta mais uma temporada de troca de energias e compartilhamento de cultura. Na sequência, foi a vez de Mike e Michele. Pense num casal entrosado. Um belo dueto, com direito a composições próprias, uma homenagem romântica de Michele ao marido e, depois da insistência do público por mais uma, 'La Bamba' para fechar.

 
Michele e Mike

Allan da Rosa, poeta e escritor, fez as vezes e foi o primeiro dos convidados especiais a se apresentar. Abriu logo com uma paródia do Hino Nacional. Cantou, com duras críticas, um país "esquartejado às leis do latifúndio". Dizem que não é de bom tom bater palmas após o hino, mas esse não tinha como não aplaudir. Antes de dar lugar ao próximo convidado, Allan da Rosa ainda largou mais alguns dos seus belos e fortes versos. Para conhecer mais do trabalho verseado e proseado desse moço veja aqui!


Allan da Rosa - "PM ou quilombola, escolha a sorte"
Até aqui, o cenário era o de sempre. O pelourinho colorido ao fundo, pintado pelo Matthias Zaeslin, os berimbaus, os bancos, violões, microfone, caixa de som... Eis que surge Paulo Henrique Sant’anna, contador de histórias, que, com tranquilidade, foi montando seu espaço. Cadeira com forro de fuxico, velas, chapéus, pandeiro e corda sobre uma colcha de retalhos, e o anúncio: "vou contar alguns causos para vocês".

 Como corpo que, de repente, passa a ser habitado por um novo espírito, o sereno e tímido Paulo deu espaço para a chegada de um camarada de olhar vivo, voz alta e sotaque de matuto esperto: "sou Chico Contador e uma história eu vou contar". E, nessa, o público já estava cativado. Mas, Chico queria companhia.  Colocou um chapéu na cabeça do André Cachoeira (que virou um dos compadres), outro na cabeça do Perninha (que virou o compadre Rico), uma corda na mão do Matthias (que virou o fazedor de corda) e pronto, a história já tinha mais três personagens.  Chico falou do peixe gigante, que "começava lá na Cupecê e ia até o final", contou mais dos seus causos e se despediu. Após os aplausos, foi tudo voltando: voltou o Paulo, voltou o público, que havia viajado para longe da realidade com a história, e voltou a ficar aberto o espaço para o próximo que se habilitasse. Chico Contador foi embora, mas deixou seus objetos de contação enfeitando as apresentações seguintes.


Chico Contador (Paulo Henrique Sant'Anna)

A primeira herdeira desse novo cenário foi a Vitória. A idade é pouca, mas o instrumento e o repertório são de gente grande. Uma folha de partitura solta na cadeira, o clarinete em mãos e 'Lamentos', de Pixinguinha, de presente para os nossos ouvidos. E, para não dizerem que a nova geração da música ficou sem representantes, o choro abriu passagem para o hip hop. Vinícius assumiu o vocal foi acompanhado por seus parceiros na execução de músicas compostas pelo grupo. Participação especial de Lucas Gomes, no violão, Alan Zas, no atabaque, e da galera, nas palmas. 
Vitória, partitura, clarinete e Pixinguinha

Vinícius e seus parceiros

Wagner Fellipe e Jerry Batista foram os últimos convidados especiais a "estrear" na madrugada. Com entrosamento semelhante ao de Mike e Michele (por motivos diferentes, veja bem), o músico e o artista plástico se apresentaram juntos, cada um na sua função. Wagner Fellipe no som, com violão e voz, e Jerry Batista no grafite, com uma caixa de papelão e alguns sprays. As músicas eram próprias, 'Azul grafite' e 'O tombo', com citação de 'Jesus Chorou', dos Racionais. A caixa, com o resultado final do grafite, se uniu aos objetos de contação de histórias do Paulo e ao retrato do Wagner, pintado pelo Matthias, durante a apresentação da dupla.
 
Wagner Fellipe no som, Jerry Batista no grafite

E foi com esse cenário novo que o Allan da Rosa voltou para dividir mais alguns dos seus escritos. Quem voltou também foi o Alan Zas, que se redimiu da tentativa frustrada do sarau anterior e recitou, com maestria, a letra da música "Ser ou não ser o que se é". Até o Chico Contador voltou.


Matthias finaliza retrato de Wagner, Allan da Rosa compartilha versos

O sarau tem só três edições de idade, mas já tem frequentadores fiéis. Rafa Emílio, presente e atuante em todas, assumiu vocal e violão e mostrou suas composições. O violão passou para o Milton, que logo avisou: "eu não canto assim em público", mas mandou uma bela canção sobre Iracema. A Aninha Garcia e o Rubens, do Sarau da Ademar, também chegaram junto. Foram dele os versos que ela recitou e foram dela as rimas improvisadas que empolgaram quem ali estava. O Mau Machado recitou seu "poeminha", que não tinha nome, mas ele sabia de cor. Acompanhado por Hélio, Vinícius voltou ao comando do microfone para cantar 'E Só', uma composição deles com um verso que casou com o espírito da noite: "hoje eu acordei querendo fazer diferente".
 
Rafa Emílio

Várias pessoas voltaram a se apresentar, novas pessoas apareceram para compartilhar e aconteceu o que rola sempre: cai o formato de apresentações. Músicos, contadores, poetas, artistas plásticos, espectadores se juntam para tocar, se juntam para ouvir, se juntam para dançar... E o Sol na espreita, ameaçando chegar. E chega. Sempre chega. Diferente dos nossos dois últimos encontros, não teve café da manhã na padaria dessa vez. Mas, a padaria está lá, nós estamos lá e dia 2 de novembro, data do próximo sarau, está logo aí.

Quem chega para somar está em casa. Cheguem e somem, notívagos!
                                  

Ferrán e Matthias

Pati e Vitória

Simone e Perninha


Marcos e Alan Zas

Nego e Allan da Rosa

Andreza e Nayla

Helena e Perninha

Marcos e Chindalena


Leandro Cobra e Ferran



Galera aplaude o Paulo Henrique Sant'Anna



Allan da Rosa

Não disse que o Chico cativou o público?

Chico Contador (Paulo Henrique Sant'Anna)


Matthias (fazedor de corda) e Perninha (compadre Rico)


Paulo Henrique - "Adivinha de que tamanho era o peixe?"

Chico Contador (Paulo Henrique Sant'Anna)

Helena e Pati

Cenário de contação de histórias do Paulo

Vitória



Vinícius


Wagner Fellipe canta 'Azul Grafite'


Jerry Batista cria ao som de Wagner Fellipe


Matthias faz retrato do Wagner, enquanto ele canta

Allan da Rosa volta a recitar



 


Alan Zas, a "redenção"

Segunda história de Chico Contador (Paulo Henrique)


Retrato do Chico Contador, por Matthias Zaeslin


Iamni no cavalete, Alan Zas no atabaque, Rafa Emílio no violão

Iamni - "voar, voar, voar"

Lucas Gomes

May e Chindalena