sexta-feira, 11 de março de 2016

Sarau da Madrugada de Fevereiro - Em família!

O primeiro Sarau da Madrugada do ano aconteceu no dia 12 de fevereiro e foi amor de ponta a ponta. Como muita gente ainda estava curando a ressaca voltando das viagens de Carnaval, a casa ficou menos cheia do que de costume, mas estava repleta de energia boa. Num clima mais intimista, sobrou espaço para cada um se expressar como e quantas vezes tivesse vontade. O resultado foi uma madrugada mais do que especial, com muitas trocas culturais no Espaço Olorum, do núcleo Aeroporto/Interlagos do grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola.

Foto: Henrique Gois de Melo

RODA DE CAPOEIRA  E SAMBA DE RODA

Comandada pelo contramestre Fábio Formigão, a Roda de Capoeira contou a visita de camarás de outras famílias de Capoeira, como a Academia de Capoeira Angola Ilê Axé, do Mestre Bigo, e o grupo Ganga Zumba Capoeira, e integrantes de outros núcleos do grupo Semente do Jogo de Angola, como Campinas, Ribeirão Preto e Israel. Jogos bonitos e bateria cheia de axé para alimentar e fortalecer os amantes dessa arte ancestral.

Encerrada a Roda, veio a batucada do Samba de Roda, uma manifestação cultural afro-brasileira preservada, principalmente, no Recôncavo Baiano. Sambamos com alegria, prolongando o axé da Roda e abrindo os caminhos para iniciar o nosso primeiro sarau do ano.


Foto: Henrique Gois de Melo


Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo

CONVIDADOS ESPECIAIS


Beto Criolo


Foto: Henrique Gois de Melo

A madrugada começou com o primeiro convidado especial da noite mandando logo o recado: "É som de preto! É RAP nacional!". O rapper Beto Criolo, de Diadema, estava na casa para lançar o álbum "Sou Porque Somos". O Djtromp foi soltando os beats, o Beto Criolo improvisando e, nessa levada, o show foi começando. 

Foto: Henrique Gois de Melo

Nas letras, mensagens de luta se misturavam às mensagens de amor. No som, as batidas pesadas se misturavam ao som do trompete, tocado pelo Djtromp. Entre a galera, uma mistura boa de sensações e energias. O Beto Criolo contou que, no CD, há diversas participações de irmãos e irmãs e uma parceria internacional, que vocês podem conferir AQUI. Rolou até música inédita! Um "RAP experimental", sem nome ainda, com o Djtromp solando no trompete e o Beto Criolo mandando ver no improviso.


Foto: Henrique Gois de Melo
"Pra gente é motivo de satisfação poder chegar num espaço desse, de resistência, Samba de Roda, Capoeira Angola...", agradeceu. Satisfação nossa também, Beto Criolo, por recebê-lo em nossa casa. "Resistir pra existir". O recado foi dado e seguimos na luta. Para conhecer mais sobre o trabalho do Beto Criolo, é só visitar a página dele.   



Trio Trocano

Foto: Henrique Gois de Melo

 "Peço licença para pisar nesse chão e somar vozes a todas as vozes que aqui já ecoaram e ecoam". Foi assim, bonito assim, que a Mirna, vocalista do Trio Trocano, abriu os trabalhos no Sarau da Madrugada. Como dissemos anteriormente, esse sarau rolou em família e o trio é um bom exemplo disso. Dois dos integrantes - Mirna Rolim e Pedro Rosa (violão de sete cordas) são alunos do grupo Semente do Jogo de Angola, que organiza o sarau. Já haviam somado na Roda de Capoeira, no Samba e somaram mais ainda no "palco", ao lado do Márcio Caparroz (percussão).



Foto: Henrique Gois de Melo

Rolou "Primeira Estrela", "Noite Severina", "Para ver as meninas", "Baião"/"De Onde Vem o Baião", entre outras. Nem precisaram pedir para o povo dançar. Era inevitável. Mandaram também músicas autorais, como "Lua Nova", "Ana de Caruaru" e uma canção que a Mirna definiu com "um chamado e um lamento", sobre os rios que têm sido destruídos em nome do dinheiro e as comunidades ribeirinhas, que são obrigadas a beber das águas contaminadas. "Chama teus filhos, mãe do rio!". Não teve pé arrastando nessa hora. Foi um momento de ouvidos atentos, mente inquieta e nó na garganta. "Infelizmente, tem gente que acredita que dinheiro é mais importante que gente, bicho e planta", disse a Mirna.  

Foto: Henrique Gois de Melo

Depois voltamos a dançar, com "Viver", do Candeia, sem esquecer a mensagem passada. Para encerrar, rolou "Filha do Mar", da compositora Flávia Wenceslau, com direito à galera cantando junto com a banda. Quem quiser ouvir um pouquinho do que a gente teve a honra de ouvir e sentir ao vivo é só clicar AQUI. 

MICROFONE ABERTO

Com o microfone aberto e um número de pessoas menor do que o habitual, sobrou espaço para belas expressões. Muita poesia! Canções recitadas... Eis que entramos numa onda boa de cantar à capella. Todo mundo se sentindo em casa e sem receio de soltar a voz, de expressar sentimentos... Foi bonito, viu? 


Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo

Sem contar que o pouco, com qualidade, vira muito. E qualidade tinha de sobra. Sarau do Vinil presente! Sarau do Grajaú presente! Grafitassu presente! MBL (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) presente! Além de representantes de outros coletivos, que somaram com a gente na madrugada. 


Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo


Foto: Henrique Gois de Melo

De quebra, ainda rolou um "quase" show da Razallfaya, que não estava com a formação completa, mas botou a gente pra dançar de novo, com forró, baião e outros sons que mexem com o corpo todo. Para fechar com maestria, rolou o Samba-reggae do Semente, com o Contramestre Formigão relembrando canções consagradas do Ilê Aiyê, Olodum, Muzenza, Badauê, enfim... Amanhecemos curtindo as melhores energias!


Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo

Foto: Henrique Gois de Melo

Só de relembrar já bateu saudade. A notícia boa é que HOJE TEM MAIS! A partir das 20h30, no Espaço Olorum (Av. Vereador João de Luca, 41 - Zona Sul de São Paulo). A noite começa com Roda de Capoeira. A partir das 22h30, rola o Samba de Roda. Aí, das 23h em diante, vamos com o sarau até as 4h30. E vamos nessa pegada: Sarau da Madrugada - Mulheres em Movimento.



Vai perder? Vai não que eu sei.
Até mais tarde! :)


VEJA TODOS OS REGISTROS DO FOTÓGRAFO HENRIQUE GOIS DE MELO: 



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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Sarau da Madrugada de Dezembro e roda de encerramento do Semente SP - Aeroporto/Interlagos

O encerramento das atividades do núcleo Aeroporto/Interlagos do grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola no ano foi tão bom que vamos pular aquela parte de reclamar de 2015. O ano não foi fácil, é verdade. Mas, para quem trabalha com Cultura, principalmente com a Cultura Negra, nenhum ano é fácil e nenhuma conquista vem sem que vários obstáculos sejam superados. Então, para nós, foi um ano difícil sim, mas com muitas vitórias. Resistimos, mais uma vez, e seguiremos na luta. Para celebrar essas vitórias, tivemos uma noite triplamente especial. A Roda de Capoeira foi especial, o Samba de Roda foi especial e o último Sarau da Madrugada do ano foi especial também. 


Na roda, coordenada pelo Contramestre Fábio Formigão, além dos alunos dos dois núcleos de São Paulo do Semente (Aeroporto/Interlagos e Grajaú), estavam presentes também alunos do núcleo de Campinas, trazidos pelo Contramestre Danny, e do núcleo de Israel. Recebemos ainda a visita de camarás e irmãos de outras famílias de Capoeira, como Jesus e Tucano, da Nova Zelândia, o Contramestre Cenorinha, que trouxe os alunos do grupo Capoeira Angola no Fio da Navalha, o trenel Womualy, que trouxe alunos da FICA SP e o pessoal do Angoleiro Sim Sinhô, do Mestre Plínio. 



A surpresa maior foi a chegada do mestre Môa do Katendê! No Gunga, o Mestre cantou bonito e dividiu um pouco do axé dele com a gente. Com tanto angoleiro reunido, não teve como não extrapolar o horário da Roda. Ficou tão tarde que, mesmo contrariando os pedidos do pessoal que tava doido pra sambar, tivemos de deixar o Samba de Roda para mais tarde e demos início ao Sarau da Madrugada. 



Com o microfone aberto, veio poesia, contação de história, músicas e muito mais. Recebemos como convidados especiais o músico Daniel Silva, lançando o E.P. "De: Nós Para: Nós" e conquistando todo mundo com seu trabalho autoral, o poeta e palhaço Guga Cacilhas, Calça Preta do Semente do Jogo de Angola, que fez o povo passar mal de rir com suas performances, o poeta Americano, que representou no som e nos versos, e as dançarinas Liliane e Ingrid, alunas do Semente do Jogo de Angola, que fizeram uma performance criada a partir de uma pesquisa que teve como referência as mulheres e a Capoeira. 









Teve ainda mais música com o Mestre Môa, que voltou para cantar alguns afoxés e fazer o Samba de Roda. Valeu a pena esperar tanto! O samba rolou com uma energia única!








Amanhecemos e encerramos o ano assim, com muita energia boa! Que venha 2016, com bons ventos, caminhos abertos, desafios necessários e muitas conquistas.

Até já! :)

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Palmares Ontem e Hoje - Roda de Capoeira e Roda de Conversa no Dia da Consciência Negra

Data da morte de Zumbi dos Palmares e data escolhida para celebrar o Dia da Consciência Negra, o dia 20 de novembro é um dia de luta e reflexão. Para vivenciar a data dentro dessa proposta, os núcleos Aeroporto/Interlagos e Grajaú do grupo de Capoeira Semente do Jogo de Angola realizaram atividades culturais gratuitas dentro e fora do Espaço Olorum, aproveitando a data para conversar e refletir sobre a trajetória de resistência do povo negro, desde Palmares, e, ao mesmo tempo, reforçar o quanto a luta contra o racismo e seus mecanismos de opressão é diária. Ela acontece de várias maneiras, todos os dias, todos os meses, todos os anos e, infelizmente, há séculos.



A atividade começou com uma orquestra de berimbaus, formada por alunos e professores do grupo e coordenada pelo Contramestre Fábio Formigão, em frente ao Espaço Olorum. A música e a concentração de berimbaus chamou a atenção de quem passava na rua. Depois, seguimos para o viaduto da Washington Luís para realizar uma breve Roda de Capoeira, em um manifesto para lembrar que a Capoeira é um dos grandes símbolos da resistência do negro diante da opressão.  




Voltando para o nosso espaço, iniciamos a roda de conversa sobre o Dia da Consciência Negra. Falamos de racismo estrutural, cultura negra, falta de representatividade do negro na mídia e em posições sociais de destaque, dificuldades enfrentadas por professores para falar sobre a cultura negra nas escolas, folclorização das tradições negras, demonização das religiões de matriz africana, entre outros temas. O grupo reúne capoeiristas de diferentes etnias, idades, condições sociais, profissões, formações familiares etc. A contribuição de cada um com seu ponto de vista enriqueceu muito o debate.  





Durante a pausa para o almoço, com uma "moqueca vegetariana" feita pelo aluno Jesus, de Israel, tivemos a grata surpresa de receber o Mestre Moreno! A presença ilustre do Mestre foi garantida pelo camará Womualy, da FICA São Paulo. Com a presença do mestre e a chegada de amigos e irmãos de outras grupos, a Roda de Capoeira fluiu muito bem, com jogos bonitos e muito aprendizado. Com o "Adeus, Adeus", encerramos a roda, mas a energia e os conhecimentos trocados nesta data tão forte permaneceram em cada um dos participantes.   





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